
Matéria publicada ontem, dia 24, no Estadão mostra a impressionante beleza das formações rochosas da Serra da Capivara que já é Patrimônio Humanidade reconhecida pela Unesco. Confira a matéria.
Na próxima oportunidade, quando pensar em fazer algum roteiro pelo Nordeste, esqueça por um momento os óbvios destinos com praias e coqueiros. A região tem belas faixas de areia, inegavelmente, mas não apenas isso. Tente se lembrar de um lugar dominado pela caatinga, bioma ímpar, e coberto de pinturas deixadas por nossos ancestrais, 12 mil anos atrás. Agarre a chance de entrar em contato com um Brasil profundo, de um povo simples, de olhar sincero.
E siga para o Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, a 517 quilômetros de Teresina e a 380 de Petrolina, já em Pernambuco. A maior reserva arqueológica a céu aberto do mundo tem 1.200 sítios catalogados, 172 abertos à visitação.
Riqueza suficiente para garantir um lugar na lista de Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco.

As diversas civilizações de homens pré-históricos foram mesmo generosas em espalhar sua arte pelos paredões de pedra. São incontáveis desenhos, feitos em sua maioria com óxido de ferro, uma substância vermelha encontrada nas rochas e que servia de tinta para esses artistas. As cenas mostram caçadas, figuras de animais como o veado galheiro, espécie presente apenas em locais com abundância de água. Esse fato comprova a grande mudança climática da região no decorrer dos milênios.
O parque tem estrutura que contempla tanto aventureiros quanto viajantes com pouco preparo físico – vale lembrar que 30 desses sítios são acessíveis aos deficientes físicos. Em algumas regiões é possível circular com carro, descendo aqui e ali para observar os sítios que ficam mais próximos da estrada principal da reserva. Mas também há outras áreas aonde só se chega após caminhadas de até 8 quilômetros em meio à caatinga.
Não importa aonde vá, o turista precisa de um guia credenciado, normalmente gente nascida e criada nos arredores do parque. Cada guia é responsável por até dez pessoas e cobra R$ 75 por grupo, quantia que não inclui os R$ 10 para entrar na reserva.
Museu. Mas o parque não é pródigo apenas em riquezas naturais. O Museu do Homem Americano, por exemplo, conta a história das descobertas feitas na Serra da Capivara com tecnologia e instalações para lá de modernas. Há crânios e esqueletos em urnas funerárias, ferramentas líticas que mais parecem joias e uma tela de cinema que mostra desenhos rupestres – destaque para a boa trilha sonora.

Apesar das dificuldades, o trajeto recompensa. Você vai ver passar cidadezinhas isoladas com suas casas coloridas e nomes singulares como Campo Alegre do Fidalgo, Lagoa do Barro do Piauí, Queimada Nova, Arizona e Afrânio. Nesta, se der, faça um pit stop rápido. Corra para o posto de gasolina na beira da estrada e peça na lanchonete um copinho de doce de leite – a cidade se orgulha de ter o melhor da região. Vai custar R$ 1 e você seguirá muito mais feliz.
Fonte: Estadão – mais fotos aqui
Fotos: Tiago Queiroz/AE
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